30 de outubro de 2026

SBMFC participa do ICRE 2026, conferência internacional de residência médica


A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) participou do International Conference on Residency Education (ICRE) 2026 com sua primeira delegação institucional. Promovido pelo Royal College of Physicians and Surgeons of Canada, o encontro ocorreu de 22 a 24 de outubro, em Ottawa, no Canadá, e reuniu mais de 1.500 participantes, entre educadores médicos, médicos e residentes de diferentes países.

Representaram a SBMFC Rafaela Alves Pacheco, vice-presidente; Ugo Caramori, secretário-geral; Diego Bomfim, diretor de Residência Médica e Especialização; e Djerlly Marques, diretora adjunta do Departamento de Residência Médica. A participação combinou debates relacionados às prioridades do plano de gestão com uma agenda de interlocução e construção de parcerias internacionais.

Sob o tema “Thriving in Uncertainty: Residency Education in a World of Change” — prosperar em meio à incerteza: a formação na residência em um mundo em transformação —, o congresso discutiu os desafios da educação médica em contextos de mudança. Entre os assuntos acompanhados pela delegação estiveram o ensino da tomada de decisão em situações de incerteza, a comunicação diante da desinformação em saúde e a influência dos ambientes de aprendizagem na formação profissional. Também foi debatido o currículo oculto: os valores, comportamentos e relações aprendidos no cotidiano dos serviços, que influenciam a identidade profissional e a experiência dos residentes.

A delegação também acompanhou o lançamento oficial do CanMEDS 2026, atualização do referencial de competências médicas cuja edição anterior foi publicada em 2015. A revisão responde às mudanças nas necessidades dos pacientes, aos avanços tecnológicos, às novas formas de organização do cuidado e às expectativas sobre a profissão médica, reforçando a equidade em saúde, a segurança cultural e a atuação antirracista. O documento orienta instituições de ensino, entidades certificadoras, órgãos reguladores e organizações profissionais no desenvolvimento de atividades de formação, avaliação, certificação e educação continuada alinhadas às necessidades de pacientes, famílias e comunidades.

A agenda institucional contou com a articulação direta de Adelle Atkinson, Chief Medical Education Officer do Royal College, que já conhece a atuação e os trabalhos desenvolvidos pela SBMFC. Os encontros permitiram discutir o papel central da Medicina de Família e Comunidade nos sistemas de saúde e explorar possibilidades de cooperação na graduação, na residência e ao longo da vida profissional.

 

Ugo Caramori, Rafaela Pacheco, Adelle Atkinson, Chief Medical Education Officer do Royal College, Djerlly Marques e Diego Bomfim

Ugo Caramori, Rafaela Pacheco, Adelle Atkinson, Chief Medical Education Officer do Royal College, Djerlly Marques e Diego Bomfim, durante as atividades do ICRE 2026

 

Na reunião com o College of Family Physicians of Canada (CFPC), participaram Leonora Lalla, diretora executiva, e Brent Kvern, diretor de Certificação, Avaliação e Exames. Foram discutidas possibilidades de cooperação, experiências de avaliação de programas de formação e iniciativas de educação continuada. Uma das referências foi o Mainpro+, programa do CFPC voltado ao desenvolvimento profissional contínuo, que articula a certificação de atividades educacionais ao registro e acompanhamento de créditos de formação dos médicos de família e comunidade

A delegação reuniu-se com lideranças da Faculdade de Medicina da Universidade de Ottawa, incluindo Alan Chaput, vice-decano de Educação Médica na Graduação; Laura Muldoon, diretora de Medicina Social na graduação; Carol Geller, diretora do eixo de Ciências Básicas; Sylvie Caissie, diretora adjunta do programa MD–Family Medicine Focus; e Sylvie Brulé, docente e responsável pela implementação de conteúdos na graduação.

O diálogo abordou a inserção da MFC nas escolas médicas, a presença de médicos de família em posições de liderança acadêmica, o ensino em serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) e a influência da cultura institucional na escolha da especialidade. Foi discutida a possibilidade de uma pesquisa colaborativa sobre como a MFC se organiza e participa da formação médica em diferentes sistemas, aproximando experiências brasileiras e canadenses e produzindo referências para fortalecer sua presença nas universidades.

Entre os objetivos dessa aproximação está a elaboração de uma declaração internacional conjunta sobre o perfil das médicas e dos médicos de família e comunidade que se espera formar para contribuir para a cobertura universal de saúde nas Américas. A proposta busca reunir perspectivas sobre a formação e a atuação desses profissionais, considerando as necessidades das populações e os diferentes contextos dos sistemas de saúde.

A agenda, além de Ottawa, já prevê continuidade com um encontro com David Ponka, pesquisador da Universidade de Ottawa que estuda modelos de APS e a prática da Medicina de Família e Comunidade em diferentes países.