11 de setembro de 2026

Nota oficial: Núcleo Barretos da APMFC


O Núcleo Regional Barretos da Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade (APMFC) vem a público dialogar com a população de Barretos a respeito de declarações veiculadas recentemente em redes sociais do município que desqualificam a especialidade médica e a sua atuação no Sistema Único de Saúde (SUS).

Repudiamos com firmeza as manifestações que afirmam que a Medicina de Família e Comunidade (MFC) serve unicamente para cortar despesas ou que tratam o atendimento como um trabalho ultrapassado e desprovido de especialização. A MFC é uma especialidade médica devidamente reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). O médico de família passa por anos de formação qualificada e possui competência técnica para solucionar, diretamente na Atenção Primária à Saúde (APS) até 92% das necessidades e queixas de saúde da população, em consonância com modelos amplamente comprovados no Brasil e no exterior.

Esclarecemos que o médico de família e comunidade não impede o cidadão de ter acesso a outros especialistas. Assim como nos países desenvolvidos, por acompanhar de forma contínua as pessoas e suas famílias, conhecendo seu histórico de vida, o profissional realiza uma avaliação ampla, conduz a imensa maioria dos tratamentos na própria APS e providencia o encaminhamento à outra especialidade quando há real indicação clínica. Essa abordagem evita deslocamentos e exames desnecessários, diminui o tamanho das filas e assegura que os pacientes com condições mais raras, graves ou urgentes tenham prioridade no atendimento em outros pontos da rede de atenção à saúde (RAS).

A integração entre ensino e serviço dentro da APS pública possui pleno respaldo na legislação brasileira. A Lei Orgânica da Saúde (Lei Federal nº 8.080/1990) determina que o SUS é responsável pela formação de profissionais de saúde; a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) estabelece a APS como campo fundamental de aprendizado; e as Diretrizes Curriculares Nacionais previstas na Lei Federal nº 12.871/2013, conjuntamente com as normativas da CNRM, fixam o treinamento prático na APS como requisito obrigatório para a formação de médicos tecnicamente capacitados, éticos e humanizados.

Evidências científicas nacionais e internacionais atestam que os serviços de APS que recebem estudantes e residentes proporcionam um cuidado de maior qualidade. Dificuldades vivenciadas no cotidiano assistencial decorrem, portanto, de deficiências de infraestrutura, carência de pessoal, planejamento inadequado e ausência de protocolos organizados pela gestão, e não da presença de programas de formação médica.

No contexto de Barretos, ressalta-se que muitas das dificuldades enfrentadas pelos usuários decorrem da cobertura insuficiente pela Estratégia Saúde da Família, da falta de médicos com Registro de Qualificação de Especialista (RQE), tanto na APS, quanto em outros pontos da rede (Postão, CAPS e Ambulatório de Saúde Mental) e da falta de fluxos padronizados – atribuições que competem à administração pública municipal e que não devem ser imputadas à uma especialidade.

O Núcleo Regional da APMFC compreende e acolhe com respeito as queixas dos cidadãos barretenses diante da espera por consultas e exames, reconhecendo como justa e legítima a cobrança por serviços eficientes. Reafirmamos nosso compromisso com a formação médica de excelência e o fortalecimento do SUS, repudiamos a desinformação e convidamos novamente a gestão municipal ao diálogo técnico e cooperativo para a consolidação de uma saúde pública estruturada e resolutiva para toda a população.

Barretos, 9 de setembro de 2026.

Diretoria do Núcleo Regional Barretos da Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade 

nota_APMFC_núcleo Barretos