4 de março de 2026

Residências em Medicina de Família e Comunidade iniciam em todo o país 


Uma das especialidades em amplo crescimento no país, recebe novos egressos que se formam em dois anos e que estarão aptos a atender pacientes de forma integral e resolutiva, contribuindo com o fortalecimento da Atenção Primária 

A partir da primeira semana de março, mais de mil residentes iniciam as aulas nos programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade, em todo o país. Com duração de dois anos, a residência médica da especialidade aplica disciplinas, oferece atendimentos e acompanhamento de indivíduos, discussão de casos e compartilhamento de experiências pelos coordenadores(as) e preceptores(as). 

Uma das principais bases de ensino é como o território onde a pessoa vive afeta a saúde e qualidade de vida. Por atuar no atendimento médico em regiões específicas, os residentes passam a adquirir habilidades, por meio da comunicação clínica, para diagnosticar possíveis sintomas que se manifestam a partir das vivências individuais de cada um. 

“Uma mulher jovem que se queixa de dor de cabeça e que mora em uma região de conflito armado e vive um luto por perda de familiares pela violência não pode ser avaliada da mesma forma que uma outra mulher idosa, com a mesma dor física, que vive sozinha, isolada dos familiares e sem contato social. A intensidade da dor pode parecer a mesma, mas a origem não. Por isso que a escuta ativa e a relação médico paciente fazem parte das técnicas aprimoradas na residência de Medicina de Família e Comunidade, pois está entre os princípios da nossa especialidade”, explica Andrea Taborda, Diretora de Residência Médica e Pós-Graduação Lato Sensu da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). 

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia, entre outras. O médico/a de família e comunidade (MFC) é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da Atenção Primária à Saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias.

Para facilitar esse processo de ensino e aprendizado, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade lançou em 2025, as EPAS (entrustable professional activities)  que são unidades de prática profissional que representam as atividades essenciais realizadas rotineiramente por especialistas em sua área de atuação. As EPAS servem como referência para a formação dos residentes, estruturando a transição progressiva para a autonomia profissional. “Os programas de residência em Medicina de Família e Comunidade podem acessar o material de forma gratuita no site da SBMFC e seguir o conteúdo para balizar a formação, ofertando todas as competências designadas à especialidade, cabendo ao residente a capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes para uma atuação profissional eficaz”, reforça Andrea que faz parte do grupo gestor das EPAS em Medicina de Família e Comunidade. 

Aprender sobre as especificidades de cada população é outro ponto chave da especialidade. Entender as características e necessidades são realmente importantes para prevenção e até diagnóstico precoce. “A Medicina de Família e Comunidade é tão ampla, que estamos em diferentes territórios, estando além dos grandes centros urbanos, desde zona rural, atuando com a população ribeirinha e também indígena em áreas mais remotas, assim como a quilombola, estamos presentes em presídios e comunidades periféricas, sempre entendendo como os problemas daqueles locais podem ser reflexos na saúde daqueles que ali vivem”, completa a médica de família e comunidade. 

O contexto familiar é outra abordagem que não é ignorada. Além do médico(a) de família e comunidade ser preparado para atender pessoas de todas as faixas etárias, desde a gravidez, acompanhando o pré-natal, até a finitude, seja por idade ou alguma fatalidade, o histórico da família, não apenas a parte genética, passa a ser estudada, já que essa  estrutura e base ou até mesmo, a falta dela, condiz muito com as condições de saúde e adoecimento das pessoas, influenciando hábitos, vínculos, suporte emocional e acesso ao cuidado. 

Ao compreender essa dinâmica, o(a) médico(a) de família e comunidade consegue oferecer um acompanhamento mais integral, considerando não apenas os sintomas e diagnósticos, mas também o contexto social, afetivo e cultural que impacta diretamente o bem-estar e a qualidade de vida.

Sobre a SBMFC

A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade é a entidade nacional que congrega médicas e médicos que atuam em unidades de atenção primária em saúde e outros serviços de saúde, incluindo os da Estratégia de Saúde da Família (ESF), prestando atendimento médico geral, integral e de qualidade a indivíduos, famílias e comunidades. Inclui também professores, preceptores, gestores, pesquisadores e outros profissionais que atuam ou estão interessados nesta área.