10 de julho de 2026

SBMFC promove primeira oficina da Jornada Nacional pela Valorização da MFC e por melhores condições de trabalho na APS


A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) realizou, na manhã do último sábado, dia 4 de julho, a primeira oficina online da Jornada Nacional de Valorização da Medicina de Família e Comunidade por Melhores Condições de Trabalho na Atenção Primária à Saúde. O encontro reuniu mais de 40 médicos e médicas de família e comunidade de diferentes estados brasileiros para discutir os principais desafios enfrentados pela categoria e construir propostas que subsidiarão um documento nacional de recomendações.

A atividade foi conduzida pelos diretores da SBMFC, Ricardo Heinzelmann e Daniel Gonzaga, com participação de representantes das associações estaduais de Medicina de Família e Comunidade. Entre eles, Roberta Fioravanti, presidente da AMFAC-RJ, Marcos Revillion, membro da Associação Catarinense de MFC e Isabela Góis, presidente da APOMFC, que apresentaram um panorama das realidades locais. 

“A primeira atividade da Jornada foi um grande sucesso, com uma ótima representação de MFCs de vários estados do país, com contribuições excelentes, a partir da realidade de trabalho de cada um(a). Com certeza, a partir desse momento, teremos mais subsídios para elaborar as próximas etapas dessa jornada, que serão as oficinas presenciais durante os congressos regionais de MFC. Espero que possamos comemorar, ao final do segundo semestre, com uma ótima produção que seja representativa do pensamento da Medicina de Família e Comunidade em todas as nossas regiões e cenários de atividades dentro da Atenção Primária à Saúde”, explica Ricardo. 

Apesar das especificidades de cada território, os relatos evidenciaram desafios comuns relacionados à valorização profissional, às condições de trabalho e à organização da Atenção Primária à Saúde.

Na abertura, Fabiano Guimarães, presidente da SBMFC, destacou que as dificuldades enfrentadas pelos médicos de família e comunidade não são exclusivas do Brasil, mas refletem um cenário internacional, a partir de impressões tiradas pela participação no WONCA Europe 2026, que aconteceu este mês, em Paris. No entanto, ressaltou que o contexto brasileiro apresenta particularidades que exigem debate e construção coletiva de soluções.  Confira o resumo do evento: https://go.sbmfc.org.br/0Jo4L8

Durante as apresentações iniciais, Roberta abordou a realidade do Rio de Janeiro, marcada por violência nos territórios, excesso de burocracia, dificuldades na relação com a gestão municipal, problemas na atenção secundária e ausência de reajuste salarial nos últimos cinco anos. Marcos apresentou o cenário de Florianópolis, onde a elevada rotatividade de médicos de família ocorre mesmo em uma rede consolidada, impulsionada principalmente pela diferença salarial em relação a municípios vizinhos e pela sobrecarga de trabalho. Já Isabela discutiu os desafios relacionados aos programas de provimento, aos vínculos de trabalho e à necessidade de fortalecer a valorização da especialidade.

“Essa Jornada nasceu de uma provocação feita durante uma reunião do Conselho Diretor da SBMFC com representantes das associações estaduais. Naquele momento, chegamos à conclusão de que as condições de trabalho são uma pauta que diz respeito a todos(as) os(as) médicos(as) de família e comunidade que atuam no país. A partir dessa reflexão, o Conselho Diretor iniciou a construção de um documento para organizar as principais demandas e propostas voltadas à melhoria das condições de trabalho dos MFCs na Atenção Primária à Saúde”, comenta Roberta que também é membro da coordenação da jornada e responsável pela elaboração do documento da etapa 1. 

Roberta ainda indica que as próximas etapas presenciais têm um enorme potencial para aprofundar esse debate e fortalecer a mobilização. Já nesta primeira etapa, fiquei muito satisfeita com os resultados iniciais, especialmente pelo comprometimento das associações estaduais e pela iniciativa da SBMFC em assumir esse tema de forma ativa, reafirmando seu papel como sociedade científica comprometida com a valorização da especialidade e de seus profissionais.

Após o painel, os participantes foram divididos em três grupos de trabalho para aprofundar as discussões. Durante cerca de uma hora, foram debatidos os principais problemas que afetam o exercício da Medicina de Família e Comunidade, entre eles a precarização dos vínculos empregatícios, a ausência de planos de carreira, a desvalorização profissional, a sobrecarga assistencial, as dificuldades de acesso à atenção especializada, problemas de regulação, remuneração inadequada e questões relacionadas à carga horária.

Na plenária final, Roberta apresentou uma síntese das contribuições dos grupos, organizando os debates em dez grandes eixos temáticos. Entre eles estão formas de contratação, programas de provimento, carreira, remuneração, processos e condições de trabalho, organização da rede de atenção, formação e residência médica, além de estratégias para fortalecer a valorização da Medicina de Família e Comunidade.

Ao encerrar a oficina, Daniel destacou que a produção coletiva será sistematizada em eixos concretos para orientar as próximas etapas da Jornada. O material construído servirá de base para as oficinas presenciais que serão realizadas durante os congressos regionais da SBMFC ao longo do segundo semestre de 2026. 

Como encaminhamento, será construída a síntese dos três grupos de trabalho. A comissão organizadora completa,  formada por Ricardo Heinzelmann, Daniel Gonzaga, Roberta Fioravante, Brenda Costa, Raquel Ferreira, Djerlly Marques  e Marcos Revillion, levará os resultados desta oficina para as atividades presenciais programadas nos eventos regionais, ampliando o debate com profissionais de diferentes estados. O acesso ao site de cada evento, assim como datas e locais, está disponível na página de eventos: https://sbmfc.org.br/eventos/

A Jornada será concluída em 5 de dezembro, durante as comemorações do Dia Nacional da Medicina de Família e Comunidade, quando a SBMFC apresentará um documento final com proposições voltadas à valorização da especialidade e à melhoria das condições de trabalho na Atenção Primária à Saúde. A expectativa é que o processo contribua para fortalecer a atuação dos médicos e médicas de família e comunidade e subsidie o diálogo com gestores e formuladores de políticas públicas em todo o país.