18 de junho de 2026

Medicina de Família e Comunidade é tema de mesa-redonda no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral


A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) participou, pela terceira vez, do Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG), promovido pela Associação Médica Brasileira (AMB). Em sua quarta edição, realizada em 2026, o evento reuniu médicos de diferentes especialidades e regiões do país para debater desafios e perspectivas da prática médica no Brasil.

De acordo com a organização, o congresso contou com a participação de aproximadamente 4.200 inscritos, entre eles, 400 conferencistas, representando as sociedades de especialidade filiadas à AMB. A SBMFC esteve presente na mesa-redonda “Medicina de Família e Comunidade”, que abordou temas centrais para a atuação da especialidade e estande na feira de exposição, com materiais de divulgação do 19º Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade (19º CBMFC) e anúncio da 38 edição da prova para obtenção do Título de Especialista em Medicina de Família e Comunidade, que terá inscrições abertas a partir de 1 de julho. 

A atividade contou com apresentações de Zeliete Zambon, vice-presidente da SBMFC; Brenda Costa, diretora de Comunicação; e Isadora Vianna, diretora do Departamento de Desenvolvimento Profissional Contínuo, que compartilharam experiências, evidências e reflexões sobre diferentes dimensões do cuidado na Atenção Primária à Saúde.

Em apresentação, intitulada “Método Clínico Centrado na Pessoa na coordenação de cuidados médicos”, Zeliete Zambon destacou que uma das principais características que definem o médico de família e comunidade como especialista é sua capacidade de coordenar o cuidado dentro do sistema de saúde.

Segundo ela, o MFC atua como gestor de informações e articulador do percurso assistencial, contribuindo para que a pessoa transite de forma adequada pelos diferentes níveis de atenção. Zeliete ressaltou ainda a importância de compreender aspectos culturais, mecanismos de enfrentamento, momento do ciclo de vida e rede de apoio dos pacientes para a construção de planos terapêuticos mais efetivos e alinhados às necessidades individuais.

Na palestra “Atenção à saúde mental no território”, Brenda Costa abordou a influência dos determinantes sociais da saúde mental e a importância de considerar as características específicas de cada comunidade no cuidado às pessoas.

A diretora destacou que condições semelhantes podem apresentar contextos e desafios distintos de acordo com o território onde ocorrem, reforçando que o acesso universal à saúde é um importante determinante social. Para ela, o “C” de comunidade da Medicina de Família e Comunidade representa o vínculo com o território e com as pessoas que nele vivem.

Brenda enfatizou que o cuidado em saúde mental vai além do tratamento de sintomas ou diagnósticos específicos, abrangendo a pessoa em sua integralidade, seus vínculos, seu sentimento de pertencimento e sua identidade comunitária. Também apresentou experiências de diagnóstico comunitário e iniciativas desenvolvidas em territórios marcados por vulnerabilidades sociais e violência, demonstrando como ações coletivas podem contribuir para a promoção da saúde mental e da cultura de paz.

Encerrando a mesa-redonda, Isadora Vianna discutiu o tema “Saúde Planetária”, destacando os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população e os desafios que esse cenário impõe aos sistemas de saúde.

A diretora, que também é coordenadora do GT de Saúde Planetária, ressaltou que eventos climáticos extremos, ondas de calor mais intensas, aumento da poluição do ar, queimadas e alterações nos padrões de transmissão de doenças infecciosas já fazem parte da realidade contemporânea e afetam diretamente diversas especialidades médicas, incluindo cardiologia, pneumologia, pediatria, geriatria, medicina de emergência e saúde mental.

Durante a apresentação, Isadora destacou que as mudanças climáticas são reconhecidas como um dos maiores desafios para a saúde no século XXI. Entre os impactos observados estão o aumento de doenças relacionadas ao calor extremo, a sobrecarga dos serviços de saúde, a ampliação dos riscos associados às arboviroses e os efeitos da poluição atmosférica, considerada atualmente um dos principais fatores de risco para adoecimento e mortalidade em todo o mundo.

O evento contou também com a palestra de Karina Soares, médica de família e comunidade, membro da Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade na mesa Acompanhamento Do Desenvolvimento Infantil Na Atenção Primária à Saúde. 

A participação da SBMFC no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral reforça o compromisso da entidade com a qualificação da prática médica, a valorização da Atenção Primária à Saúde e o fortalecimento da Medicina de Família e Comunidade como especialidade fundamental para a organização dos sistemas de saúde e para o cuidado integral das pessoas.