O Brasil é o segundo país do mundo entre os que registram novos casos. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade alerta sobre a importância do diagnóstico precoce
Uma doença que tem origem há mais de quatro mil anos ainda acomete populações em todo o mundo, inclusive no Brasil, que ocupa a segunda posição entre os países que registram novos casos de hanseníase, de acordo com o Ministério da Saúde. No Dia Mundial Contra a Hanseníase, celebrado no último domingo de janeiro, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) alerta para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção, especialmente entre as populações social e economicamente mais vulneráveis, que são as mais suscetíveis à doença.
A hanseníase é conhecida por muitos de forma distante, geralmente associada apenas aos livros de história e a filmes que retratam épocas antigas. No entanto, ela está mais presente nos dias atuais do que se imagina. Antigamente denominada lepra, a doença teve sua nomenclatura alterada após a descoberta do agente infeccioso, em 1873.
“Além de acometer a pele, com manchas que podem ser brancas, avermelhadas, castanhas ou marrons, causando dor e alterações de sensibilidade ao frio e ao calor, a hanseníase pode provocar danos neurológicos e sequelas. Esses danos são causados pelo bacilo Gram-positivo aeróbio Mycobacterium leprae e incluem disfunção nervosa, perda de sensibilidade, dor neuropática e comprometimento motor. Outros sintomas são formigamentos nas mãos e nos pés, regiões que também podem apresentar perda de força muscular e sensibilidade”, detalha Arthur Fernandes, médico de família e comunidade, diretor do Departamento de Comunicação da SBMFC.
O diagnóstico é realizado principalmente por meio de exame clínico, podendo ser complementado por exames laboratoriais e, quando necessário, por métodos moleculares. Após a confirmação, o tratamento é feito com medicamentos distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As Unidades Básicas de Saúde, presentes em todo o território nacional, oferecem suporte ao diagnóstico, tratamento e prevenção da doença. Quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento, menores são as chances de desenvolvimento de sequelas.
“Uma das prioridades do tratamento é evitar a transmissão para pessoas próximas àquela que recebeu o diagnóstico confirmado. Devido ao estigma social e a fatores históricos, ainda existe a crença de que a hanseníase é transmitida por abraços ou pelo uso dos mesmos objetos. No entanto, a principal forma de transmissão ocorre por meio de gotículas respiratórias, como espirros, tosse, fala ou contato próximo e prolongado”, explica Arthur.
Conteúdo produzido com base no material “CONDUTAS TERAPÊUTICAS ANTIMICROBIANAS DA HANSENÍASE. CONSENSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE HANSENOLOGIA. 2025″, protocolo endossado por diversas entidades de especialidades médicas. Acesse aqui: Condutas Terapêuticas Antimicrobianas da Hanseníase.
Hanseníase. Saúde de A a Z. Ministério da Saúde.
Sobre a Medicina de Família e Comunidade
A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia, entre outras. O médico/a de família e comunidade (MFC) é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias.
O MFC é um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade.
Sobre a SBMFC
A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade é a entidade nacional que congrega médicas e médicos que atuam em unidades de atenção primária em saúde e outros serviços de saúde, incluindo os da Estratégia de Saúde da Família (ESF), prestando atendimento médico geral, integral e de qualidade a indivíduos, famílias e comunidades. Inclui também professores, preceptores, gestores, pesquisadores e outros profissionais que atuam ou estão interessados nesta área.








