25 de novembro de 2025

21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher – campanha 2025


A data de 25 de novembro marca o início da Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, que se estende por 16 dias, até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Este período também abrange outras datas importantes, como o Dia Mundial de Combate à AIDS (1º de dezembro) e o Massacre de Mulheres de Montreal (6 de dezembro). 

No Brasil, tradicionalmente, estendemos a campanha de 16 para 21 dias, iniciando no dia da Consciência Negra, destacando a necessidade de integração da luta antirracista com a luta pelo fim da violência contra mulheres e meninas. Destacamos os desafios da Interseccionalidade, em que diversas “rotas de opressão” se interseccionam e criam uma sobrecarga de consequências para a vida das mulheres mais vulnerabilizadas na nossa sociedade.

Nos próximos dias, você acompanhará uma série de postagens do GT Mulheres na MFC, um grupo de trabalho da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, como parte da Campanha de 21 dias de ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher.

Promovendo a campanha no seu contexto de trabalho

Participe de você também: MFCs do Brasil, agora é hora de mostrar nossa força e mobilização por uma pauta tão importante! Discutimos há muitos anos nos congressos de nossa especialidade a importância da prevenção quaternária, questionando as campanhas dos “meses coloridos”, como outubro rosa, o novembro azul… Porém pouco nos mobilizamos para fazer valer uma campanha tão importante como essa nas salas de espera de nossas Unidades Básicas de Saúde, Postos de Saúde, Centros Municipais de Saúde, consultórios privados, Universidades, etc, etc… É tempo de modificarmos essa postura. Inicie já, em 2025, essa mobilização no seu contexto de trabalho. Acompanhe as postagens do GT deste ano, reveja postagens dos anos anteriores. Reveja as lives e outras divulgações feitas aqui no nosso perfil para se aprofundar em conceitos como o da Justiça Reprodutiva, trabalhado no nosso congresso internacional em Brasília, em novembro do ano passado. Converse com as agentes comunitárias de saúde da sua unidade, com as usuárias e usuários do serviço onde você trabalha. Promova debates, criação e exibição de cartazes, panfletos, rodas de conversa. Use a criatividade e não deixe de chamar a atenção para um problema de saúde pública tão prevalente que atravessa diariamente a prática clínica. 

Abordagem da Violência no contexto da consulta médica

Não sabe como abordar a violência? Acha que não existem casos de violência contra a mulher na sua comunidade? Comece perguntando.

Estudos de prevalência mostram que em algumas situações, cerca de 59% das mulheres usuárias dos serviços de APS relatam já terem sofrido algum tipo de violência em algum relacionamento íntimo em sua vida*. Essa porcentagem é consideravelmente maior do que uma série de doenças que muitas vezes focamos em diversas campanhas nas salas de espera. Assim, sugerimos que você comece a perguntar mais durante suas consultas. Comece por perguntas abertas como, por exemplo, “como estão as coisas em casa?”, ou “como é a relação com seu companheiro ou companheira?”. Garantir sigilo e confidencialidade e uma escuta livre de julgamentos pode te trazer inúmeros relatos deste problema de saúde pública tão frequente.

 Identifiquei um caso – e agora?

Realize um plano de segurança, avaliando se a mulher se sente segura em sua casa. Mapeie os riscos iminentes e aqueles nem tanto. Avalie junto com ela para onde ela iria em caso de escalonamento dos atos violentos. Faça um levantamento da rede de apoio. Marque retornos frequentes. Explore a rede intersetorial do seu município. Conheça os Centros de Atendimento à Mulher, Casa da Mulher Brasileira, etc… Utilize materiais já produzidos pelo GT para apoiar nessa construção, como a cartilha que fizemos na época da pandemia, mas que é válida para outros contextos: https://sbmfc.org.br/wp-content/uploads/2020/12/Cartilha-viole%CC%82ncia-contra-mulher.pdf 

Saiba mais dados atuais sobre a violência no Anuário brasileiro de segurança pública 2025. Mobilize-se e participe dessa importante campanha você também!

Infográfico Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025

 

* Ref: Schraiber, L. B., Barros, C. R. dos S., & Castilho, E. A. de. (2010). Violência contra as mulheres por parceiros íntimos: usos de serviços de saúde. Revista Brasileira de Epidemiologia, 13(2), 237-245. https://doi.org/10.1590/S1415-790X2010000200006