Danyela Casadei Donatelli – Médica de Família e Comunidade – Membro do Grupo de Trabalho de Problemas Respiratórios – GRESP/SBMFC
Sonia Maria Martins – Médica de Família – Coordenadora adjunta do Grupo de Trabalho de Problemas Respiratórios – GRESP/SBMFC
No Brasil, o tabagismo é considerado problema de saúde pública por ser fator de risco para aproximadamente 50 doenças diferentes sendo responsável por altos índices de mortalidade, diminuição da qualidade de vida, e grande impacto nos sistemas de saúde com aumento dos gastos públicos para o tratamento e reabilitação das pessoas afetadas. O seu controle sistemático tem sido realizado desde o final da década de 80, quando o Ministério da Saúde (MS), por meio do Instituto Nacional de Câncer (Inca), criou o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) com implementação de ações governamentais para a redução do consumo do tabaco, sendo um exemplo para o mundo, segundo a OMS.
Hoje, o tabagismo é amplamente reconhecido como uma doença resultante da dependência de nicotina, que obriga os usuários dos produtos de tabaco a se exporem continuamente a cerca de 4.700 substâncias tóxicas, sendo 60 delas cancerígenas para o homem e, assim, a contraírem outras doenças limitantes e fatais .
O Ministério da Saúde através da portaria nº 571 de 5 de abril atualiza as diretrizes de cuidado à pessoa tabagista no âmbito da Rede de Atenção às Condições Crônicas no Sistema único de Saúde e considera que o tratamento do tabagismo apresenta bom custo- efetividade nos cuidados em saúde e ressaltando que a realização da atenção aos tabagistas deve ser realizada em todos os pontos da atenção, porém prioritariamente na Atenção Básica dada a importância da atenção primária já que essa é a principal porta de entrada do usuário no sistema de saúde.
A Atenção Básica (AB) é considerada um local estratégico para a realização das ações de controle do tabagismo, uma vez que se caracteriza por ser “um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades”. A abordagem a todos os indivíduos na AB visa não apenas diagnosticar o tabagismo, aconselhar e tratar os fumantes, mas estimular aqueles que não fumam para que não comecem a fumar, realizando ações inclusive, nas comunidades.
Estamos vivendo uma pandemia de Covid -19 desencadeada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), momento esse, em que as medidas de saúde pública devem ser reforçadas para prevenir a propagação do vírus.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) ressalta que os tabagistas têm seu sistema respiratório comprometido pelo fumo e que ao levar as mãos não higienizadas à boca podem contrair o vírus. Uma vez infectados pelo coronavírus podem ter a sua saúde ameaçada.
Os benefícios para a saúde pulmonar dos fumantes podem ser evidenciados já nas primeiras 12 à 24h, de modo que os pacientes devem ser orientados a evitar aglomerações, lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool gel para higienização, não compartilhar objetos pessoais, manter ventilação dos ambientes para evitar o contágio pelo coronavírus, é muito importante PARAR DE FUMAR. Deixar o cigarro pode reduzir o risco de desenvolver a forma mais severa da Covid-19 e nesse sentido o Grupo de Trabalho de Problemas Respiratórios – GRESP- SBMFC vêm reforçar o papel da AB no apoio aos tabagistas da comunidade para pararem de fumar.
Referências: