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Entrevista com o presidente da APMCG, Dr. João Sequeira 24/07/2009

Parceria d’além mar


Com sete anos de trabalho dedicados à Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG), o Dr. João Sequeira Carlos ajudou a consolidar o serviço de Medicina de Família e Comunidade em Portugal. Nascido em Lisboa, Siqueira optou pela clínica geral - como é conhecida a MFC naquele país - num período em que a especialidade ganhava espaço. Ao mesmo tempo em que a especialidade crescia, seu desempenho na diretoria da Associação foi reconhecido e culminou na nomeação ao cargo de presidente da APMCG.

Em 25 anos, o médico acredita que a APMCG, contribuindo para a diminuição dos índices de mortalidade infantil, venceu inúmeras batalhas. Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), Portugal faz parte dos cinco países - Chile, Malásia, Tailândia e Omã - que mais diminuíram o número de óbitos em crianças com menos de um ano. De 1970 a 2008, os números caíram 86%. Há, porém, muitos desafios pela frente.

No que diz respeito às pesquisas, é preciso brigar pelo incentivo na área da Atenção Primária à Saúde. Quanto à qualidade dos profissionais, há a necessidade de aperfeiçoar a formação, não apenas com a realização de congressos e cursos de aprimoramento, mas por meio do estímulo à troca de experiências com outros países.

Justamente por isso, entre as ações definidas como prioritárias em sua gestão está o intercâmbio de residentes entre Brasil e Portugal - acordo concebido durante o encontro anual do World Organization of Family Doctors (WONCA), em 2008. “A exemplo do que acontece na Europa, sob o incentivo do projeto Vasco da Gama organizado pelo WONCA, médicos portugueses e brasileiros participarão de um curso intensivo de atendimento por até um mês nos respectivos países, em virtude de um acordo firmado com a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e o Ministério da Saúde brasileiro”, ressalta.

O interesse pela parceria entre Brasil e Portugal partiu da boa avaliação quanto à Estratégia Saúde da Família brasileira. Siqueira cita o desenvolvimento das políticas públicas voltadas à especialidade e enfatiza o papel dos Encontros realizados no País como de grande valia para a evolução do serviço e da especialidade.


SBMFC Informa - Qual o caminho percorrido até assumir a presidência da APMCG?

João Siqueira Carlos - Assumi o cargo de presidente em 4 de julho, após fazer parte da junta diretiva da entidade por sete anos. Durante esse período, desempenhei inúmeras funções em cargos no setor científico e na organização de Encontros da área. Atualmente a direção da APMCG é formada pelo presidente, três vices-presidentes, um secretário e um tesoureiro, além dos suplentes.


SBMFC Informa - Quais os principais desafios enfrentados pela entidade?

João - A MFC cresceu em paralelo à história da Associação, fundada há 25 anos. Conseguimos contribuir para a redução no número de mortes entre recém-nascidos e melhorar a atenção à terceira idade. Hoje, precisamos da inovação na área de cursos à distância e em nosso portal na Internet, tornando mais próxima a relação com os associados. Outro desafio é melhorar as atividades internacionais, principalmente em relação ao Brasil, concretizando projetos de intercâmbio, como já acontece com Espanha e Inglaterra.


SBMFC Informa - Qual sua avaliação sobre a Medicina de Família e Comunidade em Portugal?

João - Conseguimos alcançar um lugar de destaque, mas há muito que evoluir. A melhora da saúde não pode ser discutida apenas pela MFC, deve contar com a participação de um conjunto de especialidades. Em Portugal, só reduzimos a mortalidade infantil porque atuamos em parceria com as demais especialidades.


SBMFC Informa - Recentemente houve uma discussão em torno da proposta de carreira apresentada em 20 de fevereiro pela ministra da saúde, Ana Jorge, que instituiria a não-limitação do número de pacientes a serem atendidos pelos especialistas mensalmente. O que pensa sobre isso?

João - Os atendimentos em Portugal têm um número limite por cada médico. Em média, cada especialista de família é responsável por até 2 mil pacientes, mas a ordem de atendimento nas unidades de saúde é definida pelo médico. Para um grande número de atendimentos, como o caso do Brasil, há maneiras de realizar os procedimentos sem perder a qualidade.


SBMFC Informa - A SBMFC é uma parceira de Portugal? Como ambos os países trabalham em conjunto?

João - Temos um protocolo que prevê a participação de residentes dos dois países para intercâmbio. Até outubro, acolheremos de cinco a oito médicos brasileiros para um programa de formação nos centros de saúde de Portugal, firmado pelas sociedades e o Ministério da Saúde brasileiro. Com a Espanha e a Inglaterra, esse intercâmbio já existe, mas dentro do projeto Vasco da Gama, idealizado pelo WONCA. Tentamos revitalizar esse movimento de intercâmbio entre os países da Europa e, agora, estendemos também ao Brasil.


SBMFC Informa - Como vê a medicina de família e comunidade no mundo? É uma especialidade em crescimento?

João - Ao participar das conferências mundiais fico maravilhado com o nível de desenvolvimento principalmente nos países da América do Sul e da Ásia. O curioso é que, infelizmente, são poucos os países em desenvolvimento que apostam na especialidade com projetos públicos, como a Atenção Primária à Saúde (APS). Já em países como os Estados Unidos e a Nova Zelândia, houve uma crescente consideração pelos médicos de família e comunidade.

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