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Escolhas sbias 10/06/2016

 Em parceria com a Choosing Wisely International, SBMFC lança campanha de conscientização acerca do sobrediagnóstico

Por Daniella Pina

Recentemente, membros da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e representantes da Choosing Wisely International no País lançaram a campanha Choosing Wisely Brazil, cujo objetivo é reforçar reflexões sobre exames, tratamentos e procedimentos desnecessários, por meio do diálogo entre médicos e pacientes.

O conceito de escolhas sábias na atenção à saúde brasileira já é trabalhado pela SBMFC há algum tempo, principalmente pelo Grupo de Trabalho (GT) de Prevenção Quaternária. A reflexão lança um olhar crítico sobre as atividades médicas, no entendimento de que a medicina é baseada em um relacionamento e que o contato deve permanecer verdadeiramente terapêutico, respeitando a autonomia dos médicos e pacientes para uma prática médica sem conflitos de interesse.

Os entusiastas da Choosing Wisely - lançada nos Estados Unidos em 2012, pela American Board of Internal Medicine (ABIM) - buscam estimular o atendimento com base na situação individual do paciente. Justifica-se, por exemplo, que o excesso de pedidos de exames pode levar a uma overdose’ de tratamentos desnecessários e muitas vezes danosos.

“A realização de exames de rotina ou check-up em uma pessoa que não tenha quaisquer sintomas de determinada doença pode, em algumas ocasiões, levar ao diagnóstico de uma doença que jamais se tornaria um problema de saúde, e indicar um tratamento que seria dispensável”, explica o vice-presidente da SBMFC, Daniel Knupp. Para o diretor científico da Sociedade, Gustavo Gusso, um problema de saúde não significa necessariamente uma doença e o tratamento muitas vezes pode ser mais nocivo que o próprio problema. Gusso cita os cânceres de próstata e tireoide como exemplos de doenças sobrediagnosticadas.

A epidemia de diagnósticos também é um problema para os laboratórios, já que sobrecarrega o sistema e torna os resultados menos ágeis para pacientes que estão realmente doentes. Os procedimentos só se justificam se puderem aumentar a expectativa ou a qualidade de vida do paciente.

Seguindo a estratégia norte-americana, impulsionada pela ABIM Foundation, a ideia não é impor condutas, mas estimular sociedades médicas a criarem suas listas de procedimentos a serem evitados. Uma das sugestões, por exemplo, é que haja consultas mais longas e com mais tempo para ouvir os pacientes.

De acordo com o presidente da SBMFC, Thiago Trindade, a Sociedade é uma entidade centrada no paciente e que busca parceria com instituições do mundo todo que foquem as melhores práticas médicas sem conflitos de interesse. Com o lançamento da campanha Choosing Wisely Brazil, a SBMFC e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) serão pioneiras na elaboração das primeiras recomendações nacionais da ação, por adesão voluntária e com total independência. A parceria com o Centro Colaborador para Qualidade e Segurança do Paciente (Proqualis) garantirá a divulgação dessas informações para todo o Brasil. As recomendações serão centralizadas em uma seção do portal Proqualis.

Saiba mais sobre a Choosing Wisely: choosingwisely.org

Repercussão do assunto na mídia

 

http://noticias.band.uol.com.br/jornaldaband/videos/2016/04/27/15843696-medicos-relatam-%60abuso%C2%B4-nos-pedidos-de-diagnostico-por-imagem.html

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160418_campanha_exames_fp_if

http://www.otempo.com.br/interessa/sa%C3%BAde-e-ci%C3%AAncia/overdose-de-exames-pode-ser-danosa-para-pacientes-cl%C3%ADnicos-1.1286919

http://tvcultura.com.br/videos/53198_jornal-da-cultura-1-edicao-27-04-2016.html

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